segunda-feira, 14 de julho de 2014

MR É ATRAÇÃO CONFIRMADA NO FESTIVAL DE INVERNO DE BONITO

O evento que acontecerá de 30 de julho a 03 agosto na cidade de Bonito-MS trará em sua programação artistas brasileiros que fizeram parte dessa trajetória nas áreas de música, teatro, dança, literatura, arte pública, entre outras manifestações culturais. A grande homenagem dessa edição será o Rio Formoso – personagem mais importante da história de Bonito.
Diferente das edições anteriores, o evento contará com uma estrutura na Grande tenda de shows com 02 palcos, além do túnel cenográfico, espaço cênico e recursos de projeção mapeada, além de instalações, pavilhão de artesanato e Mostra de Design e Moda de Mato Grosso do Sul.
SHOWS MUSICAIS GRANDE TENDA
30 de julho ALCEU VALENÇA – SHOW: FORRÓ LUNAR É o show em que Alceu apresenta sua vertente ligada ao sertão e ao agreste, sucesso absoluto durante o período das festas de juninas. Além de músicas que reafirmam Alceu como um renovador do cancioneiro nordestino – Coração Bobo, Embolada do Tempo, Cavalo de Pau, Forró Lunar – Alceu interpreta os mestres supremos do gênero: Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. E tome xote, baião, forró, embolada e afins.
31 de julho MARIA RITA – SHOW “CORAÇÃO A BATUCAR” Sete anos depois de Samba Meu, acaba de lançar Coração a Batucar, sua segunda incursão pelo mais brasileiro dos gêneros musicais. Quer reproduzir no palco o clima que norteou a produção, que foi gravado praticamente ao vivo, em uma autêntica roda de samba.
João Bosco – show “40 anos de carreira” Desde a sua estreia, sob a benção jobiniana, num disco compacto que tinha "Agnus sei" de um lado e "Águas de março" de outro, João Bosco está completando 40 anos de carreira. Esse show celebra essa carreira recheada de sucessos, desse que é um dos maiores compositores da música popular brasileira.
01 de agosto JOTA QUEST - SHOW “Funky Funky Boom Boom” Após estrear com "casa cheia" no Rio de Janeiro (Fundição Progresso) e São Paulo (Citibank Hall), em noites memoráveis, os mineiros do Jota Quest apresentam agora por aqui o seu "Baile da Pesada", calcado na onda dançante que embala o seu novo álbum de estúdio "Funky Funky Boom Boom”, o sétimo da carreira, que traz, além do repertório inédito, novos arranjos para grandes hits da banda.
02 de agosto TITÃS – “Sonífera Ilha”, “Cabeça Dinossauro”, “Polícia”. A banda Titãs apresenta esses e outros grandes sucessos dos seus 30 anos de carreira em show único . O grupo de rock também leva ao espaço músicas do novo álbum “Nheengatu”, lançado em maio desse ano.
LULU SANTOS Um dos artistas que fizeram mais história no Festival de Bonito, volta com sua nova turnê “Toca mais Lulu”. Envolto por cenários de inspiração óptico, direção de arte de Karen Araújo, luz de Césio Lima, figurino de Claudia Kopke e com direção musical do próprio cantor, o show segue com um repertório de muitos sucessos - Tudo azul, Já é!, Tempos modernos, A cura, Sábado a noite, Toda forma de Amor, Adivinha o que?, Apenas mais uma de amor, Como uma Onda, Último romântico, que, como sempre, não vai deixar ninguém parado!
SHOWS MUSICAIS PRAÇA
A programação de música da praça apresentará, além os artistas sul-mato-grossenses que serão divulgados pelo edital da Fundação de Cultura de MS, a participação da banda VANGUART –destaque entre as novas revelações da música brasileira, a banda cuiabana apresenta o show “Muito mais que o amor” e promete fazer história nessa apresentação inédita.
TULIPA RUIZ também vem participar dessa celebração de 15 anos do Festival de Bonito. Com Efêmera, álbum de estreia lançado em 2010, Tulipa Ruiz teve o disco colocado entre os melhores da década pelo jornal Folha de S. Paulo, eleito o melhor do ano pela revista Rolling Stone, levou a estatueta de melhor cantora do Prêmio Multishow em 2011, conquistou uma leva de fãs que inclui David Byrne, a música Só Sei Dançar com Você foi tema da novela Cheias de Charme e a faixa-título foi trilha de jogo de videogame da Fifa. Em mais de dois anos de estrada, foram 150 shows só no Brasil – além de turnês internacionais que incluíram países como Argentina, Colômbia, Estados Unidos, Dinamarca, Portugal, Itália e Inglaterra.
Delinha e Perla - E para celebrar a festa com a comunidade de Bonito, a participação das rainhas da música de raiz e do sentimento sul-mato-grossense.
ARTES CÊNICAS: No teatro, a participação de um dos mais importantes grupos do Brasil : XPTO com o espetáculo “Lorca – Aleluia Erótica”; Território Sirius/ Fábio Vidal - espetáculo Joelma – premiado em todo o país.
Na rua, artistas pela cidade :
MUSTACHE e os APACHES – orquestra de rua em performances que contagiam o público;
GRUA – Gentlemen de Rua - Dança contemporânea que interage com a platéia e é grande sucesso em importantes eventos do país. Grupo Sensus - Performances “Kinesis”e Caixas Poéticas - o grupo estimula sensorialmente através do tato, olfato e audição – conduzindo o público a uma entrega poética.
Mariana Piza – Interações com a plateia nas performances “Cora-me”e “Peça-me”
A arte pública vem muito bem representada no já tradicional túnel cenográfico, que encanta os participantes a cada edição. Como em todo ano, recebe o seu imenso público através de uma instalação numa das mais importantes ruas do centro da cidade, conduzindo-o até o grande palco sempre por um caminho que também homenageia um aspecto ou um personagem de sua cidade. Este ano a homenagem se centraliza num dos elementos que se tornou um dos maiores atrativos da região: o Rio Formoso. Formoso em Bonito, como adjetivo, ainda é pouco para traduzir as belezas naturais desse rio. É preciso muito mais, e o grande desafio é traduzir plasticamente num túnel de 100 metros as sensações provocadas ao contato de suas águas. Com concepção do cenógrafo José Carlos Serroni (São José do Rio Preto SP. Arquiteto teatral e cenógrafo de destacados méritos, internacionalmente reconhecido, ex-colaborador do Centro de Pesquisas Teatrais (CPT) de Antunes Filho e criador do Espaço Cenográfico, escola livre de cenografia. É respeitado pesquisador e curador de exposições referentes à história da cenografia e arquitetura teatral no Brasil.
O pavilhão das artes na Praça da Liberdade trará mostra do artesanato produzido em Mato Grosso do Sul, além de galeria de artes com a Mostra Bonito _ com os principais representantes das artes plásticas.
O Galpão Bonito apresentará a feira Bocaiúva – mostra criativa e design - mostra de produção contemporânea de cultura e comportamento no Espaço Vila Rebuá - que contará com uma programação paralela com Djs e performances.
Na praça da liberdade, será montada a Galeria EcoCriança, com atividades voltadas às crianças.
O evento é realizado pelo Governo de Mato Grosso do Sul através da Fundação de Cultura e Fundação de Turismo e pela Prefeitura de Bonito.
FONTE | SITE DA PREFEITURA DE BONITO

MARIA RITA ALMOÇA COM FAMÍLIA NO RJ

Obs: essa foto é de uma reportagem antiga, pois o Jornal do Brasil não colocou foto na reportagem.
Presença rara no Rio, já que mora em São Paulo, Maria Rita passou o fim de semana na capital fluminense. A cantora foi vista por uma amiga da cybercoluna almoçando no complexo Lagoon, na Lagoa, com o marido, o músico Davi Moraes, a filha deles, Alice, de 1 ano e meio, e alguns amigos. O filho mais velho, Antônio, de 9 anos, ficou em São Paulo com o pai, o cineasta Marcus Vinícius Baldini. 

FONTE | JORNAL DO BRASIL

terça-feira, 1 de julho de 2014

COM SHOW CAB, MARIA RITA SE APRESENTA EM SANTOS

A cantora Maria Rita se apresenta no dia 18 de julho, sexta-feira, às 23 horas, no Mendes Convention Center, em Santos. O repertório conta com sucessos de sua carreira e canções de seu novo trabalho, que vem sendo divulgado na turnê do show Coração a Batucar
 
A artista usa a canção como foco e a voz como instrumento, em um show que reúne canções dos três discos gravados ao longo da carreira, além de músicas de projetos dos quais ela participou e inéditas para celebrar o lançamento de seu mais recente trabalho. 
 
No repertório, Maria Rita apresenta músicas como Caminho das Águas, O que é o amor, Num Corpo Só, Conceição dos Coqueiros, Santana, Só de Você, Encontro e Despedidas, entre outras. A cantora sobe ao palco acompanhada do trio composto por Thiago Costa (piano), Sylvinho Mazzucca (baixo) e Cuca Teixeira (bateria). 

domingo, 29 de junho de 2014

MARIA RITA APRESENTA CAB EM CURITIBA

Sete anos depois do sucesso de Samba Meu, Maria Rita sobe aos palcos para cantar um novo disco. Batizado de “Coração a Batucar”, seu sexto álbum totalmente dedicado ao samba, a cantora está em turnê pelo país para divulgação de seu mais recente trabalho. Com realização da Prime, Maria Rita vem a Curitiba no próximo dia 02 de agosto e faz única apresentação no palco do Teatro Guaira (R: Conselheiro Laurindo, s/n) às 21h15.
Animada com o novo trabalho, a cantora conta que não pretende fazer deste show uma réplica do novo CD, mas o foco é o samba. “O samba permeia minha carreira desde o início. Por isso, além das novidades de Coração a Batucar, trago canções do Samba Meu e outras desses 12 anos de estrada. Sou madrinha de bloco, desfilo em escola de samba no Rio e em São Paulo. Já avisei no Facebook que esse disco é para se acabar de dançar, sair com bolha no pé", brinca.
Maria Rita quer reproduzir no palco o clima que norteou a produção de Coração a Batucar, que foi gravado praticamente ao vivo, em uma autêntica roda de samba. “A nossa disposição no palco se dará de uma forma que a plateia poderá ver a minha interação com os músicos, sem que para isso eu precise estar de costas para o público”, antecipa. Liderada por Davi Moraes (guitarra), a banda que a acompanhou em estúdio também vai para o palco, e conta ainda com Alberto Continentino (baixo), Rannieri de Oliveira (piano) e Wallace Santos (bateria).
O repertório vai passear pelo novo disco — entre elas "Meu samba", "Sim senhor", "No meio do salão", "Mainha me ensinou", "Rumo ao infinito" e "No mistério do samba" — além de outras do disco Samba meu, além de hits da carreira.
Os figurinos são do estilista e parceiro de longa data, Fause Haten, que pela primeira vez, também assina os cenários de um show. A iluminação fica a cargo de Samuel Betts, o figurino da banda é de Gilda Midani, a execução da cenografia é da Tiba Produções, de Esequiel Jr. e Mara Cesar, e a produção geral é da Tribo Produções. “O cenário é surrealista e ao mesmo tempo minimalista. Está bem diferente de tudo o que já apresentei, mas é um show que poderei levar para qualquer lugar”, afirma.
Coração a Batucar começou a tomar forma quando Maria Rita foi convidada pela produção do festival Rock in Rio a montar show exclusivo para o palco Sunset, em 2013, e resolveu dar vazão à paixão por Luiz Gonzaga Jr, o Gonzaguinha. “Ali, o bicho pegou. Veio a reação da plateia... foi demais!”, recorda. Além disso, a repercussão de Samba Meu (seu primeiro álbum do gênero) nas redes sociais e os diversos prêmios recebidos - como o Grammy Latino de melhor álbum de samba - não deixaram dúvida. “Não posso dizer que comecei a fazer a pesquisa de repertório já pensando num disco de samba. Foi acontecendo”.
Sobre Maria Rita
Maria Rita começou a cantar profissionalmente aos 24 anos. Não acha que foi tarde. Após escolher a hora certa, ela não pode queixar-se dos resultados que alcançou. Aliás, ninguém pode reclamar dos resultados alcançados por Maria Rita. Antes mesmo de lançar um CD ela foi a vencedora do Prêmio APCA de 2002 como Revelação do ano.
Seu primeiro disco, “Maria Rita”, lançado em setembro de 2003, vendeu mais de 1 milhão de cópias em todo o mundo. O primeiro DVD, que traz o mesmo título e foi para as lojas na primeira semana de novembro daquele ano, chegou à marca de 180 mil cópias.
Dentre outros sucessos da cantora está o seu terceiro CD “Samba Meu”, lançado no dia 14 de setembro de 2007. O CD teve lançamento simultâneo nos Estados Unidos, América Latina, México, Portugal, Israel e Reino Unido.
Em abril de 2008, a ABPD concedeu o Disco de Platina a “Samba Meu” pelas mais de 125 mil cópias vendidas do CD. O álbum também ganhou o prêmio de “melhor CD” no 15º Prêmio Multishow de Música Brasileira.
Maria Rita lançou o DVD “Samba Meu”, em setembro de 2008. Filmado ao vivo, no Rio de Janeiro, o DVD foi produzido por Maria Rita, dirigido por Hugo Prata (Zulu Filmes) e traz a íntegra do show e, como extras, os clipes de “Num corpo só″ e “Não deixe o samba morrer” (ambos dirigidos por Hugo Prata), um slideshow de fotos de Marcos Hermes e o making of da gravação.
Com mais de 190 mil CDs vendidos de “Samba Meu”, em novembro, Maria Rita ganhou o seu sexto Grammy Latino, como “Melhor Álbum de Samba”. Em dezembro, a cantora ganhou o DVD de Ouro pela mais de 40 mil cópias vendidas desde o seu lançamento.
A turnê de “Samba Meu” foi até meados de 2010. Praticamente em seguida, um convite para uma mini-temporada na Europa fez com que ela montasse um novo show, sem nome, com um repertório para piano-baixo-bateria-voz, de músicas que desejava cantar. Deu tão certo que rodou o país por mais de um ano e gerou pedidos de fãs para que aquelas canções fossem registradas num álbum. Assim, Maria Rita gravou “Elo”, lançado em CD e vinil pela Warner em setembro de 2011.
No final de 2011, Maria Rita começou a preparar um show em homenagem a Elis Regina, que fazia parte do projeto Nivea Viva Elis. Em princípio seriam 5 apresentações gratuitas ao longo do primeiro semestre de 2012 em diferentes cidades brasileiras. O sucesso foi tão grande que a cantora decidiu seguir com o show, rebatizando-o de “Redescobrir” e saiu em turnê pelo Brasil. Além disso, o espetáculo foi gravado e lançado em CD, DVD e Blue-Ray pela gravadora Universal no final de 2012.
Em 2013, o álbum “Redescobrir” ganhou o Grammy Latino da categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

MR: ESTE É MEU LUGAR, ENTENDE?

São 3 da tarde, hora de encerrar o expediente na cozinha do Dalva e Dito. Para garantir comida à mesa, os pedidos foram feitos antes de Maria Rita chegar. Por telefone, a cantora informou o que queria para o almoço: surubim com folhas de jambu, "uma erva elétrica" - como está no cardápio. É assim que ela entra no restaurante. "Estou pilhadíssima. Acordei de ansiedade, bem antes do despertador. Às 6 da manhã eu já estava ó" - diz, escancarando os olhos miúdos atrás dos óculos. Está absolutamente envolvida com os detalhes da turnê do show "Coração a Batucar", que já passou por São Paulo, Rio e segue para Santos, Curitiba, Recife, entre outras cidades.
Ao entrar no salão, Maria Rita avista o músico Max de Castro, filho do cantor Wilson Simonal, e vai cumprimentá-lo. Depois de dois dedos de prosa com o amigo de infância, junta-se a nós. Coloca na cadeira a bolsa azul, no mesmo tom da cerâmica da parede. E "Coração a Batucar" volta à conversa. É ela quem assina a direção do show. "Não consigo dar na mão de outra pessoa, sou bem centralizadora", admite, beliscando um pedaço de pão.
Caxias em tudo o que faz, costuma chegar com cinco horas de antecedência para seus shows. Som, luzes, figurino e maquiagem ticados, é hora de reunir os músicos na coxia. Todos se abraçam em um círculo e ela comanda uma exortação ao sucesso, seguida de um grito que serve para "tacar os demônios pra fora". Para demonstrar o que diz, solta algo como um urro. Antes de levar um pedaço de pão à boca, completa: "Ah, e só entro no palco com o pé direito".
Nem bem começamos a saborear o couvert, o garçom aparece com a comida. O assunto volta no tempo. Filha de Elis Regina e Cesar Camargo Mariano, seria natural que a menina sonhasse em seguir a carreira dos pais. Certo? Errado. Justamente por ser filha de quem é, fugiu da sina. "O lance era o seguinte: minha mãe morreu no auge, de uma forma inesperada, virou um mito. Era muito complicado, desde que me lembro por gente, ser filha da Elis. As pessoas me paravam na rua. Era uma comoção que me incomodava."
Quando Elis morreu, Maria Rita tinha 4 anos. "Não tenho memória da minha mãe." Isso, para ela, tornava a semelhança entre as duas ainda mais enigmática. O pai costumava dizer: "Não entendo. É genética ou o quê? Como você é tão parecida com sua mãe, o gestual, a risada, o jeito de mexer no cabelo, se não conviveu tempo suficiente?" Acho que ele tinha um sentimento de que aquilo seria um sofrimento para mim, como veio a ser."
Interrompe a fala, abaixa a cabeça para o prato, volta, encara a repórter e pergunta: "Cara, como a gente vai fazer pra comer? Não se pode falar de boca cheia". E cai na risada. Depois de abocanhar a primeira garfada de peixe, diz que evitava cantar em público, mas banheiro era território livre. Pegava a escova de cabelo, "daquelas grandonas e achatadas", que fazia as vezes de microfone, e soltava a voz na frente do espelho. "Mas eu não dividia. Isso era só meu, ninguém sabia."
Durante anos, foi a única menina e a caçula entre os irmãos. João Bôscoli, produtor musical, e Pedro Mariano, cantor, davam-lhe sopapos, puxavam a irmã pelos pés e a persuadiam a jogar futebol de botão com eles. A pequena topava entrar na brincadeira, contanto que depois fizessem o gosto dela. "Mas claaaro", prometiam com os dedos cruzados. "Eles foram meus terrores. Mas superprotetores, ninguém chegava perto de mim." E, servindo-se de arroz, comenta, rindo: "Nem namorado".
Camargo Mariano tinha estúdio em casa, sempre que possível com vista para um jardim. Com um metrônomo marcando o compasso, passava horas compondo. "Quantas vezes eu não fiz o dever de casa no chão, quietinha pra não atrapalhar... Ouvia, inebriada." O pai, continua, sempre foi um sujeito empetecado e perfumado. Detalhista, carrega e passa a própria roupa que usa nos shows, desenha os cenários, cumprimenta do dono ao faxineiro do teatro. "Sou baba-ovo mesmo." Garota ainda, já acompanhava o pai ao trabalho, observava a passagem de som. Para que a filha não atrapalhasse, ele pedia que checasse se havia frutas no camarim ou contasse o número de cadeiras na plateia. "Preciso muito saber", dizia. "Eu me sentia tão importante..."
Em 1994, Camargo Mariano decidiu morar nos Estados Unidos, em Nova Jersey. Os irmãos, que já "eram donos do próprio nariz", ficaram no Brasil. Maria Rita, com 16 anos, foi junto. "Eu era muito ligada nos meus irmãos, foi difícil." Na escola, os alunos juravam à bandeira americana todas as manhãs, em pé e com a mão no peito. Menos Maria Rita. "A bandeira é sua, não é minha. Não vou jurar", conta, rindo. Pinga um pouco de pimenta na comida e de Pimentinha - apelido de Elis - na conversa. Uma das grandes vantagens de morar fora era que lá ninguém dava a mínima por ela ser filha de uma das maiores cantoras do Brasil. "Quem, Elis? Ah, tá. Não conheço", diziam seus colegas.
Estava tudo muito tranquilo até o dia em que Camargo Mariano convidou a filha para cantar com ele. Havia um grupo de amigos brasileiros em casa e a canção pedida foi "O Bêbado e a Equilibrista". Maria Rita fechou os olhos, como faz até hoje ao cantar, e soltou a voz. Quando os abriu, viu a sala tomada pela emoção. Era um tal de gente chorando, de olhos vermelhos e inchados. Maria Rita, com 19 anos, achou aquilo um disparate. Um dos presentes, o cantor sertanejo Chitãozinho, visivelmente comovido, aconselhou: "Você tem que cantar, menina". Ela olhou bem nos olhos dele e deu seu recado: "Escute. Minha mãe morreu e não volta mais". Deu as costas e saiu. "Aí rolou uma quebra geral no clima." Mais tarde, durante o jantar daquela noite, Chitãozinho - "pra quem eu fiz a malcriação" - chamou-a a um canto: "Olha, eu não chorei porque você se parece com sua mãe. Chorei porque desde que Elis morreu achei que nunca mais fosse sentir uma emoção como essa. E senti".
"Nunca esqueci o que ele me disse, ficou guardado. Foi lindo." Tudo muito bom agora, porque na época a comoção suscitou um descompasso. Maria Rita calou-se. Decidiu cursar comunicação social e estudos latino-americanos. "Aí me mudo para Manhattan e começo a viver minha vida", diz, largando os talheres no prato, apoiando os braços na mesa e abrindo as mãos no ar. Hoje, depois de anos de análise, entende que sua escolha foi uma maneira de se manter "abaixo do radar da geral". "Honestamente, era uma negação comigo mesma. Sempre fugindo." Pega de volta os talheres, dá uma garfada no peixe e prossegue.
Evitou, quanto pôde, cantar em público. Mas no banheiro, limpando vidros e passando aspirador, esquecia a promessa de se manter calada. Um amigo, que sempre a ouvia cantando do corredor, inscreveu-a em um concurso de calouros. Na hora H, Maria Rita entrou em pânico. "O que estou fazendo aqui? Meu Deus do céu, deu defeito na pessoa. Aí vaaaazooooou", lembra-se, puxando as vogais e risadas da audiência.
Fugiu para uma padaria das redondezas, até ser encontrada pelos amigos, que já estavam doidos atrás dela. "Eu estava toda tensa e falei: 'Vocês por acaso sabem a importância que isso tem pra mim?' Uma das amigas fez que sim e a convenceu a encarar o desafio. A turma prometeu ficar na retaguarda, para qualquer emergência. Lá foi ela, encarar a plateia e seus fantasmas. Subiu no palco sozinha, dispensou microfone - "eu não sabia usar aquele treco" - e cantou a capela. Abocanhou o primeiro lugar e US$ 100 para serem gastos em CDs. Qual era a música? "Velha Roupa Colorida", de Belchior: "(...) Você não sente e não vê/ mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo,/ que uma nova mudança, em breve, vai acontecer (…)".
A mudança estava à espreita. O ano era 2001. Setembro. Seu aniversário, dia 9. No dia 10, celebrou em um show de Michael Jackson. No dia 11, a notícia do ataque terroristaàs torres gêmeas de Nova York. "Minha cabeça entrou num processo de salvação automática muito louca de 'vou voltar para o Brasil'." E assim fez. Retornou ao solo pátrio e entregou-se à profissão que tanto evitou.
"Eu tinha que passar por essas turbulências todas. Foi um processo solitário, doloroso e de muitas dúvidas. Batalhei sozinha com meus demônios pra me encontrar. Só eu sei o que passei pra chegar a este lugar. Então esse lugar é meu", afirma, enfatizando o pronome possessivo e olhando nos olhos da repórter. "É meu, entende? Minha batalha não era em cima do palco como muitos artistas. Era na sombra, na coxia, de mim comigo mesma."
O celular toca. Maria Rita passa o aparelho para Alan, seu assistente, que almoça conosco, e perde o fio da meada. "Onde eu estava mesmo?" Sua estreia foi no minúsculo palco do Supremo Musical, em São Paulo, ao lado de Chico Pinheiro e Luciana Alves. Logo começaram a pipocar pedidos de entrevistas e propostas de shows. Declinou de todos, melhor não colocar a carroça na frente dos bois. Gravou, então, o primeiro CD, recusando a gravadora do irmão, a participação do pai e evitando o repertório da mãe. "Não juntei família, fui procurar minha turma. Existia um mau-olhado com a filha da Elis, não podia dar esse mole, sabe?"
Na sua turma estava o produtor Tom Capone, que sabia tirar o melhor de sua voz. "Maria - diz imitando o amigo -, com você a gente não pode fazer muito 'take', tem que ser no máximo no terceiro, senão fica muito pensado'." Arruma um montinho de comida no garfo, faz uma pausa e relembra, saudosa: "Ele tinha sensibilidade, entendia que comigo era na explosão ou não ficava legal".
Com o primeiro CD Maria Rita ganhou dois Grammys Latinos, nas categorias de melhor disco de MPB e de artista revelação. Quando ouviu seu nome, na premiação em Los Angeles, ficou "atordoada". "O Tom me levantou no colo, eu chorava muito. Explodi de tudo que tinha acontecido comigo até aquele momento." De lá foram para uma festa que a gravadora tinha armado para comemorar, no hotel onde estava hospedada. Maria Rita celebrou e logo voltou para seu quarto, sem provar o bolo. Capone foi levar um pedaço para a vencedora. "Foi a última vez que vi o Tom." Naquela noite, a caminho de outra festa, ele sofreu um acidente de moto e morreu. "Foi uma noite de emoção, do céu ao inferno em muito pouco tempo. Foi doído. Ficou difícil." Maria Rita abandona os talheres, junta as mãos e chora.
A esta altura, só estamos nós e os funcionários no restaurante. Mexendo na pulseira do relógio, e já refeita, ela conta que procurou Lenine para produzir seu segundo CD. Ligou para fazer o convite, mas, assim que ouviu a voz do músico, desligou, de nervoso. "É um cara que respeito demais." Mal o CD foi lançado, surgiu "o escândalo do iPod", ela rememora. A revista "Veja" publicou, na ocasião, que a gravadora Warner havia tentado corromper jornalistas com um aparelho, distribuído como parte da estratégia de lançamento daquele seu trabalho. O aparelho, dizia o texto, com o título "O mensalinho de Maria Rita", teria sido oferecido para a artista obter espaço em jornais e revistas.
"Quase derrubou o disco. Tinha gente que dizia: 'Quem pode pode, quem não pode que iPod'. Outros diziam que o artista não tem nada a ver com o marketing." Foi consultada sobre o plano de divulgação da gravadora? "Eu estava lá mixando, indo para a masterização. E eles, 'ah, a gente vai embarcar no iPod'. E eu, 'ah, tá bom. Dá um pra mim?'" Faz uma pausa, espeta um pedaço de peixe e prossegue: "E eu estou aqui". Como quem canta, debocha: "Ha, ha, ha, vai ter que me aturar."
O garçom leva os pratos e Maria Rita traz, novamente, a mãe para a conversa. Quando começou a cantar, alguns "órfãos de Elis" a acusavam de querer usurpar o lugar da maior cantora do Brasil. "Isso me tirava do prumo. Nunca quis ser a substituta da Elis. Sou filha que não teve mãe, para de encher." Como defesa, decide "não ter mais nenhum contato" com a mãe. "É uma série de reações, no emocional, que leva um tempo pra trabalhar, pra entender."
Quando completou dez anos de carreira, e bem mais segura de seu lugar, fez "Redescobrir", em que revisitou - em shows, CD e DVD - clássicos de Elis. "Aí fui tentar entender minha história e essa mulher incrível que é minha mãe. Aí ela voltou pra minha vida, meu colo."
Mas não foi mole. Um dia, depois de ouvir um monte de CDs de Elis, encostou na janela, descorçoada. "Bicho, o que fui fazer? A missão é hercúlea. Ela é excelência na música. Melhor pular fora." Olhou para a frente e deu de cara com a foto de Elis, que estampa a capa de um livro, mostrando a língua para ela, feito o conhecido retrato de Einstein. Maria Rita lembrou-se, então, de uma entrevista que viu da mãe. Quando indagada sobre o que desejava para a filha, Elis teria dito: "Que ela seja leve, nunca pesada." Reação imediata: "É isso aí, genial, mãe, continua tirando sarro da minha cara. Não é pra se levar tão a sério, exatamente. Não é pra ficar pesada. Mãe, valeu". Fala rindo e, puxando a manga da camiseta para cima, deixa algumas de suas muitas tatuagens à vista.
"Me dá um autógrafo", brinca Alex Atala, que acaba de chegar ao restaurante. Cantora e chef trocam algumas palavras, ele pergunta se está tudo bem conosco e vai para o salão de baixo participar de uma reunião.
Dispensamos a sobremesa. Já sorvendo o café, Maria Rita conta que "deu um nó na garganta" na primeira vez em que ouviu "Mãinha Me Ensinou". A canção, de Arlindo Cruz e Xande de Pilares, que faz parte do álbum "Coração a Batucar", não foi composta para ela, mas parece talhada para a cantora.
"Não tenho como não me identificar. As duas primeiras tomadas da gravação fiz aos prantos, não consegui terminar. É um retrato de um momento da minha vida, muito forte, em que trago de volta minha mãe, com seus ensinamentos, através da música. E também, como diz a canção, em que vivo um grande amor" - com o músico Davi Moraes, pai de Alice, sua filha caçula. Com a xícara de café na mão, cantarola: "Ainda me lembro com clareza/ O que mãinha me ensinou... Ah! Encontrei um amor assim/ é tudo o que sonhei pra mim..."
Dá um gole de café e conta que ser mãe não fazia parte de seus planos. "Como ser uma coisa que nunca tive? Como é que faço? Eu pensava assim." Hoje, Maria Rita tem dois filhos. Antônio, de 10 anos - de seu relacionamento com o diretor Marcus Baldini -, e Alice. " E, olha, estou fazendo direitinho o negócio", diz, com uma gargalhada.
A conversa é interrompida por um cantarolar em voz alta. É um personagem da rua, uma das lendas vivas do bairro, informa Maria Rita, ex-moradora dos Jardins, que há sete anos trocou São Paulo pelas praias cariocas. Já está escuro e ela volta ainda à noite para o Rio. De carro. "Menina, passagem de avião está uma loucura de cara!"
Ela está com 36 anos, a idade que Elis Regina tinha quando morreu. "Até aqui eu sei o que ela tinha feito, vivido, se tinha mudado ou não, cortado o cabelo, como estava. Daqui pra frente não sei nada, estou sozinha. Agora sou eu e eu mesma."

FONTE | A CRÍTICA DE CAMPO GRANDE

domingo, 1 de junho de 2014

JULIANA ALVES PRESTIGIA SHOW DE MARIA RITA

Juliana Alves esteve em um show da cantora Maria Rita, na noite desta sexta-feira (30), no Citibank Hall, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Luís Miranda, Alessandra Maestrini e Arlindo Cruz também estiveram na plateia do espetáculo.
No palco, Maria Rita cantou os sucessos do CD "Coração a Batucar" e animou os fãs. Em recente entrevista ao "Programa do Jô", a artista falou sobre o seu novo trabalho. "Só tem samba nesse disco", disse.
Maria Rita é mãe de Antônio, de 9 anos, fruto da união com diretor de cinema Marcus Baldinie, e Alice, de 1 ano e meio, do atual casamento com o músico Davi Moraes.
Juliana Alves foi bastante simpática com os fotógrafos presentes no show e posou sorridente para as câmeras. Ela foi uma das participantes do quadro "Artista Completão", do "Domingão do Faustão".
FONTE | PURE PEOPLE

MARIA RITA FAZ SHOW NO RJ COM FAMOSOS NA PLATÉIA

Maria Rita apresentou o show de seu novo álbum, Coração a Batucar, no Citibank Hall, no Rio de 
Janeiro, na noite dessa sexta-feira (30).
A cantora recebeu alguns famosos na plateia, como Arlindo Cruz, Luis Miranda e 
Alessandra Maestrini. 
Porém, quem chamou a atenção foi Amim Khader, que chegou usando uma peruca preta. 
Ele é conhecido por sempre exibir um visual careca.

sábado, 24 de maio de 2014

MR AGITA SÃO PAULO COM SEU SHOW CORAÇÃO A BATUCAR


Maria Rita se apresentou nessa sexta-feira (23) no Citibank Hall, em São Paulo, com o show Coração a Batucar. Ela cantará novamente na capital paulista neste sábado (24) e depois segue para o Rio de Janeiro, nos dia 30 e 31 também no Citibank Hall.
Sexto álbum de sua carreira, Coração a batucar foi produzido pela própria Maria Rita, com arranjos de Jota Moraes. Com músicas inéditas de Noca da Portela, Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Joyce e uma versão do clássico Saco Cheio de Almir Guineto, o projeto é uma reencontro da artista com o samba.
Confira mais fotos no nosso facebook.
FONTE | TERRA

MR DIZ QUE DEIXOU DE SER BUNDA MOLE APÓS CANTAR ELIS

Após fazer uma turnê com o repertório de Elis Regina, a filha Maria Rita lança o disco de samba "Coração a batucar". O novo trabalho é emotivo e, às vezes, indignado. É o caso de "Saco cheio" e "Fogo no paiol", faixas do álbum com certo questionamento social. O novo CD não tem faixas de Elis, mas mostra o impacto da homenagem na cantora.
Ela leva a turnê do disco "Coração a batucar" a São Paulo, na sexta-feira (23), no Citibank Hall. A cantora repete a apresentação no sábado (24). Nos dias 30 e 31 de abril é a vez de o Rio ver a nova turnê de Maria Rita, no Citibank Hall carioca.
"[A turnê anterior] mostrou que preciso resgatar uma 'Maria Rita indignada e socialmente consciente' que eu já fui, e hoje eu sou uma bunda mole", diz a cantora. "[O lado crítico] não estava esquecido, estava com medo. Porque percebo que a gente vive um momento, enquanto artista, que se falar alguma coisa parece babaca, chato. Parece que as pessoas não querem ouvir. Mas acredito que a função do artista é falar, fazer pensar", defende.
Nos shows passados, com repertório da mãe, ela afinou o tom questionador ao retrabalhar "Como nossos pais", "Alô alô marciano" e "Morro velho" e outras. "Não é possível que eu, com 20 anos na faculdade, era mais envolvida que hoje. Agora eu tenho um nome, eu devo fazer mais, devo servir de exemplo. Eu chego lá, vou amadurecer isso", diz.
G1 – Como foi trabalhar com o seu marido, Davi Moraes, como guitarrista?
Maria Rita – Ele tem experiência, antes de me conhecer, de trabalhar com família. O pai [Moraes Moreira] o colocou no palco com oito anos. Também trabalhei com minha mãe desde nova, no sentido de consulta [sobre o legado]. Vi que precisava desligar a chave filha e ligar a chave herdeira. Elis é de todo mundo, mas a mãe é minha. Com o Davi, é da mesma forma. No palco, é da minha equipe, tratado de igual para igual. Desce e vira marido, não tem drama.
A primeira vez que coloquei guitarra no meu show foi no "Redescobrir". Tinha que ser ele, um grande músico. Tem uma bagagem, toca guitarra como violão, cavaquinho. E é sedutor. A primeira vez que o vi, estava na turnê do Caetano. Fiquei embasbacada. "De onde surgiu esse moleque?", pensei. A admiração foi ali. Ele me convidou para o programa no Multishow. Mostrou músicas e eu botei no "Elo". Nesse movimento de pedir autorização, rolou a paixão.
G1 – Seu filho de nove anos também gravou em 'Vai meu samba'. Como foi?
Maria Rita – Antônio é um cara muito legal. Desperta amor onde vai. Não é diferente com a banda. Os caras gostam dele. Em um momento de pausa para o café, ele estava brincando com instrumentos. Virou uma brincadeira com o tamborim. Ele olhou para mim, pois sabe que sou "mãe leoa". Pensei: "O pior que pode acontecer é ter que refazer". Mas ele arrasou, foi super profissional, depois foi negociar o cachê (risos).
G1 – É o primeiro disco depois da turnê com as músicas da sua mãe. Como essa turnê te afetou como artista?
Maria Rita – Mexeu muito comigo. Primeiro enquanto intérprete, pois é como se tivesse um carimbo de excelência. São 29 músicas de um repertório que beira a perfeição. Não falo como filha, mas como intérprete. Minha mãe é musa inspiradora no mundo inteiro. Ter cantado - e sei que fiz direito e passei emoção e verdade - é carimbo de excelência. Eu era filha, e isso seria perigoso. Desde extensão vocal a dificuldade harmônica e de letra, me mostrou muito da minha capacidade. Brinco mais com minha voz, vou além do que ia antes.
Como ser humano, me mostrou a generosidade com o que público me recebeu e me deu colo quando eu chorava no palco. E mostrou que eu preciso resgatar uma "Maria Rita indignada e socialmente consciente" que eu já fui, e hoje eu sou uma bunda mole.
G1 – Eu ia perguntar sobre isso, já que neste disco novo há músicas com este teor social, como 'Saco cheio' e 'Fogo no paiol'.
Maria Rita – Essas letras são uma forma de tocar no assunto sem ser muito pesado. As duas músicas do Gonzaguinha na versão do iTunes são mais escancaradas, com a voz rasgada. A consciência de que devo deixar de ter medo dessa característica vem do show "Redescobrir". Eu já tinha isso. No segundo disco gravei "Minha alma". No "Samba meu" tinha "Corpicho", que tira um sarro dessa coisa superficial. É uma crítica social.
G1 – Então esse lado crítico existia, mas estava esquecido?
Maria Rita – Não estava esquecido, estava com medo. Porque eu percebo que a gente vive um momento, enquanto artista, que se falar alguma coisa parece babaca, chato. Parece que as pessoas não querem ouvir. Mas acredito que a função do artista é falar, fazer pensar. Eu tenho isso latente em mim. Não é possível que eu, com 15, 20 anos na faculdade, era mais envolvida do que hoje. Agora eu tenho um nome, eu devo fazer mais, devo servir de exemplo. Eu chego lá, vou amadurecer isso (risos).
G1 – 'Mainha me ensinou' foi escolhida pela sua história?
Maria Rita – Essa chegou do Xande [de Pilares]. Não foi escrita para mim, não sei qual é a história. Mas identifiquei alguns ensinamentos dessa "mainha" da música: respeitar a natureza, andar no bom caminho, se entregar a um grande amor. São lições que a minha mãe teria passado para mim. E tem "encontrei um amor" e "hoje eu sou mainha também" na letra [Maria Rita é mãe de Antônio, 9 anos e Alice, 1 ano]. Então essa música tomou um tom absolutamente pessoal. Foi até difícil gravar, eu chorava muito na gravação. Chorava, parava, chorava muito. Tenho até ansiedade de saber como vou me portar no palco diante da multidão. Provavelmente vou chorar também.
G1 – Tem a famosa interpretação de 'Atrás da porta' em que sua mãe chora. Você se lembra de ver isso em vídeo?
Maria Rita – É muito forte aquilo. Vi em vídeo sim. Fiquei muito impressionada. Na gravação ela estava brigada com meu pai. Quando canta vem aquilo tudo à tona. Tenta esconder, joga o cabelo, a mão, aquele choro de rímel caindo... É fortíssimo, bonito, sofrido. Bonito porque me emociono quando vejo o artista que se envolve a tal ponto, que ele muda. Tenho respeito pelo artista que na coxia é uma coisa e no palco outra. E aí que tenho certeza que música mexe com ele. Quando vi, sabendo da história, pensei: "O que foi que meu pai aprontou para ela estar desse jeito?" (risos).
G1 – A ideia de, nesse CD, preferir emoção a perfeição técnica tem influência de Elis?
Maria Rita – O Milton Nascimento, no início da minha carreira, disse que eu sou "da mesma forma da minha mãe". Eu não lembro, sei que ela é assim e eu também. Sou muito reta. Não sei mentir, se minto me atrapalho toda, me pegam em dois minutos. Não é proposital. Não tem a ver com alguma lembrança. Só posso dizer da minha verdade. Quando estou no palco, a música mexe muito comigo, sou um bicho muito movido aos sentidos. Já chorei em frente a um quadro. Choro com livro, poema, pela beleza, emoção.
G1 – Qual foi a última coisa que te fez chorar?
Maria Rita – Foi uma notícia do pai que espancou o filho até a morte. Isso me deixou desnorteada. E alguns filmes como "12 anos de escravidão". Fiquei desnorteada num grau... Depois que vimos, minha amiga falou: "Vamos assistir outra coisa para espairecer". Eu falei: "Tenho vergonha, vou deitar nessa cama e dormir com esse barulho, essa dor." Sou chorona.

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